quinta-feira, 8 de março de 2012

Indiscutivelmente Única

Sexo frágil. Quem ou o que é esse tal de sexo frágil? Desconhecido é de fato forma ou ser, incompreendido não só 'talvez', é incompreendido 'com certeza', incompreendida por natureza, até pela única beleza.


A mulher recebeu esse "status" não de forma receptiva, mas de maneira imposta e sem merecimento. A mulher é própria e única dentro de uma mescla infinita de exposição interna, singela e expressiva, com toda a força insuficiente de mal fazer sem a devida proporcionalidade desproporcionalmente aos momentos em fúria, seguidos de delicadeza descomunal em comum à todas elas, com a firmeza e a dureza de um ser que suporta todos os percalços com a emotividade ao fim de uma novela, com um carinho de quem firma a opinião e não volta atrás. Essa, talvez, seja a mulher, um ser único e múltiplo, definitivamente indefínivel e bela, capaz de ser ela mesma e várias ao mesmo tempo, sem perder uma essência, indiscutível, de vida.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Uma Mágica com Mais Magia


A gente pisa na bola, mete os pés pelas mãos. Se coloca na frente da carroça. Nos qualificamos em todas essas frases juntas e aplicadas ao mesmo tempo. E nem sempre temos algo a dizer a favor, às vezes nem nós estamos a nosso favor. Certas coisas são injustificáveis, inexplicáveis.
Todos nós ouvimos todos os ditados, conselhos dos avós e ainda assim pagamos pra ver, temos a mania de querer varrer a possibilidade do hoje pro amanhã, crendo que tudo poderá ser resolvido de alguma maneira mirabolante, caída do céu ou num tropeço qualquer e rotineiro. Há horas que pretendemos ser como um mágico que transforma e oculta o que bem entende no momento mais oportuno e não nos damos conta que se trata apenas de algo ilusório, e que no mundo real não pode e nunca poderá ser feito dessa forma. A mágica existente, aplicável, deve ser a do encanto verídico, do encanto com o singelo, pontual e límpido. E que quanto mais tentamos nos aproximar do mágico, mais distante da plateia se fica. A plateia exige que ter certeza é melhor que imaginar. Mas o mais importante nem é a plateia, já que nem toda ela vai te aplaudir mesmo, a maioria deve até vaiar.
A mágica em si está no brilho de assombro e encantamento que se acende nos olhos de quem vê e o importante nem sempre é como ela acontece, no que há por trás. O que conta são os poucos que ficam durante o show e aplaudem mesmo quando a tentativa falha, quando você cai por terra, o que conta é o quanto se persiste até o acerto, porque mesmo o maior fracasso, mesmo o pior erro não é pior do que tentar. O que conta é apenas buscar cada assombro daquele, cada encantamento ascendente de quem se ama o mais distante possível do mágico e o mais próximo de você mesmo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Herói


Uma criança me parou num shopping e me perguntou qual era meu super-herói favorito, sem reação não consegui responder, e naquele milésimo de segundo reparei que eu nunca havia escolhido um super-herói, que aquela fantasia simples e total imaginária nunca havia feito parte de mim. Então, disse a ele que eu não tinha nenhum, desapontado ele saiu com seu boneco do super-homem na mão.


Então, qual o meu herói? Por que não ter um, ou por que ter um? Afinal, todo herói tem sua kryptonita, todos se deixam encantar por alguém que lhe mostrará todos os medo dos quais você nunca teve, que você revelará seus segredos mais obscuros e sombrios, que você se entregará sem nenhuma noção de perigo das quais você sempre criou regras e recursos pra se prevenir, seja seu sensor aranha, visão de raio-x, batcaverna ou toda uma liga da justiça de amigos que te ajudam nas missões mais complexas, mas que nem eles sabem daqueles seus segredos. 


Todo herói, seja ele com superpoderes ou não tem a sua kryptonita, tem sua Lana Lang, todo herói tem seu personagem próprio pra se camuflar daquilo que só ele sabe de si, e que só ela saberá, e a partir daí você não mais defenderá seu mundo, mas o mundo dela seja qual for o risco, mesmo os mais simples como quando ela sobe em uma cadeira por causa de um rato, de uma barata, medo de filmes de terror ou assalto na porta do condomínio, você estará sempre pronto pra protegê-la, mesmo ferido, com uma perna quebrada, ou um dedo só. E ela não terá medo de viver com esse herói e correr todos os perigos que possa surgir, ela até é capaz de assumir tais perigos, ela só precisa de uma coisa, estar segura de quando ele diz Eu Te Amo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Chegando a Um Fim


Até onde vai a sua vida, até onde você vai poder chegar, onde seus braços alcançarão? Não tente responder, porque a mais sincera e verdadeira resposta não seria a correta, porque não há uma. Sua vida vai até onde ela poderá ir, até onde ela deve ir, você pode antecipar o fim ou prolonga-lo o máximo possível, o que ainda assim não seria o bastante.


Observe o dia de hoje, olhe o azul do céu, se vire para o horizonte até onde a vista alcança, olhe como se fosse o último momento pra isso, a última oportunidade. Suspire com força, sinta o ar como o último fôlego. Quantos foram os dias que você conseguiu perceber as coisas desse modo? Já tinha visto e sentido por esse ângulo? Sabia que esse azul era tão azul assim e que sua vista alcançava tão longe?


Quando as coisas se vão, quando as coisas passam às queremos de volta, sentimos raiva, arrependimento, porque não vimos antes que nada que vai, volta, tudo o que acontece vira necessariamente passado, no máximo recomeçam, mas nunca são exatamente iguais, não há como escrever em cima, só há como começar um novo, virar a página e iniciar um novo capitulo. O arrependimento não mata, mas pode definir como será.


Sinta o que há pra sentir hoje, chore o que deve ser chorado agora, ria de tudo o que puder o máximo que se aguentar, dê aquele abraço apertado. Cada dia é o seu último, não há segunda chance, não há um segundo round, não há ‘mais tarde’, há o tarde demais. Cada segundo é presente, cada respiração é dádiva. O fim é certo e pode estar mais próximo que se imagina.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Desconhecida


Depois de tanto tempo descobri que não sei quem você é, descobri que não descobri nada em você, nada de você, nada em que pudesse ter me apaixonado, descobri que nunca vi você antes, que talvez fosse um prazer te conhecer agora, já que até então só tinham me sobrado dúvidas. Será que estive cego durante esse tempo ou você realmente acabou de aparecer, de surgir?! Se eu ligar essa luz eu te verei de novo, se sairmos ao sol eu te reencontrarei?

Você não se tornou alguém pior, pode ser até que tenha se tornado alguém melhor, mas talvez melhor pra você mesma, para aquilo que você deseja ser e não naquilo que quisemos pra nós dois.

Você perdeu a essência de ser você, deixou migalhas suas pelo caminho como se esperasse poder reviver aquele caminho de novo, mas essas migalhas se desfizeram, assim como você. Assim como ficaram pelo caminho, você também ficou por ele ou ao menos quem você realmente era e se tornou parte de uma lembrança. Lembrança que levarei comigo, de alguém que foi alguém, que fez parte, mesmo que agora seja apenas uma bela desconhecida. E quem sabe depois de um até breve a gente se reencontre e sejamos apenas dois desconhecidos que passarão a se conhecer melhor e ter uma vida desconhecida juntos, mesmo com lembranças esquecidas de uma outra vida...!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Viver pra Ver

A vida passa, acontece e fica claro o quanto cada momento pode ser definidor, aprendizado, descoberto, mas que isso só é visível a quem busca ver ou está sempre pronto a perceber quando acontece, caso contrário tudo passa e você foi apenas parte de um plano de fundo qualquer, mero coadjuvante de sua própria vida. E não há de vir reclamar depois de que as oportunidades não apareceram, de que a vida não lhe presenteou, porque não há de se julgar aquilo que não se viu, não é capaz de reconhecer uma oportunidade aquele que não reconhece nem a si. Só hoje, por exemplo, depois de tanto tempo, é que percebi que eu poderia ter dito mais coisas pra te convencer, que ao invés do silêncio, haviam sim palavras que talvez fossem suficientes pra que você ficasse. Mas hoje não penso que seja tarde, que gostaria de voltar tudo e refazer meus passos, porque eles caminharam de acordo como deveriam ser. Hoje não acho que deveríamos ter ficados juntos, percebi que não era pra ser, que foi uma etapa, um momento único, mas para ser apenas lembrado, como um momento bom e de aprendizado. Hoje percebo que a vida tinha mais reservado pra mim, e até pra você, agora sei que aquilo que perdi não foi perda, era apenas passagem, passagem pra uma, e por uma transformação, para que assim eu me encontrasse e aí estivesse pronto pra receber aquilo que me era reservado. Assim é cada dia, um instante único, visto por poucos.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

A Criança de nós


Às vezes parece que é melhor ser criança pra sempre, toda aquela bajulação, disputa de quem ela vai gostar mais ou chorar menos, aquelas caras de bobos ou as tentativas de falar igual... parece até que vão conseguir alguma comunicação verdadeira assim. A criança nunca é feia, e não digo pela opinião dos pais não, porque esses ai nunca na vida vão achar ou pelo menos aceitar que digam que seu filho é feio ou mesmo um ‘bonitinho seu filho’ – BONITINHO é o ca*#$% - mas digo por todos mesmo, ninguém acha um bebê feio ou mesmo que ache, a maioria ou praticamente todos, guardam e dão aquele sorriso amarelo tentando mostrar o contrário, ai quando vão embora comentam ‘nossa, que feinho ele né?!Tadinho. ’
Ser criança é simples? Talvez. Sem preocupações, sem hora marcada, a não ser aquelas cruciais da fome, de fazer as necessidades que enchem uma fralda inteira, é sentir somente aquelas dores de uma cólica que às vezes um apertinho na barriga pode ser todo o alívio. E mesmo assim queremos crescer logo, ser adultos, donos do nosso próprio nariz, namorar, noivar, casar, ter filhos... Eu não sei que necessidade é essa que essas crianças têm, ou que certos pais demostram pra elas que seria melhor assim. Tudo isso é bom, é interessante, traz alegrias, mas trazem muito mais percalços, desilusões, dores, machucam muito mais do que aquela queda no parquinho, já que essa um Merthiolate e um soprinho curam na hora. Ser adulto é um saco. Toda criança deve querer ser criança e só, tem que viver esse momento, curtir esse momento. Tudo passa muito rápido e acabamos sozinhos cuidando de nós mesmos. É verdade que nascemos sós e morreremos sós, mas já que é irremediável deixa pra ser quando deve ser, não há porque querer apressar as coisas.
Nenhum adulto é completamente adulto, é utopia querer ou imaginar isso, todos nós temos aquela criança em nós, alguns mais outros menos, depende exatamente de como se construiu esse individuo – e não adianta pensar, ‘como assim, construiu?’, é fato que cada individuo é produto do meio em que vive, com uma pitada de genética apenas – depende de como ele lida com isso.
Viver não é tão fácil quanto se parece às vezes, então curta cada momento, viva cada um deles e deixe a criança que habita em você renascer a cada dia, só a mantenha bem educada pra não exagerar na dose.