Faz tempo que não escrevo, faz tempo que não reflito em
notas os pensamentos desapropriadamente meus, os sentidos dessentidos pluralmente
ressentidos. Tempo que não exponho intrinsecamente palavras desajustadas de
vontades desamarradas, que não observo em rascunho, que não enxergo ao olhar
próximo, que não deflagro em metáforas palavras não ditas, algumas apenas
presumidas. Há tempo que me esqueci de sabores sobrevividos, do frio apropriado,
das falácias cotidianas, do querer indevidamente certo, do querer apenas, do
tempo em que o tempo era mais que o tempo.
quinta-feira, 24 de abril de 2014
domingo, 21 de abril de 2013
Perspectiva
Acordei cedo, dia diferente, normalmente sempre acordo
tarde, com o despertar do cheiro do almoço exacerbado pelo estômago faminto e a
boca seca a salivar, acordei com o sol adentrado pela única fresta possível da
cortina, chamado através dos movimentos da cortina e do vento leve que soprava.
Coloquei os óculos e olhei direto pela janela, olhei sem direção, sem pretensão,
sem a intenção que já me acometeu, de ver um mundo diferente, de ver um amor
diferente, um dia diferente.
Amanheci nostálgico de um passado que nunca vi, com saudade
daquilo que nunca senti, vislumbrado com um futuro que ainda não havia
enxergado, como num simples sonho realista. Mas dessa vez o dia parecia mais
claro, menos enevoado, mais vívido, o mau humor matinal durou até menos.
Realmente um dia diferente a se começar.
Vivi aquele dia, como novidade, como um primeiro, algo
inédito, um dia inexplicavelmente único. Vivi a pino, assim como o sol ao
meio-dia.
A noite chegou e com ela a expectativa pelo dia seguinte e pelos
próximos, a nostalgia do acordar voltava à tona e junto com o cansaço do dia
tornava-se pior. E assim ele me venceu naquele dia, mal dormi e a noite já
passou.
Acordo cedo novamente, mas dessa vez não há sol, não há
fresta na cortina, só o vento, não há nostalgia, nem saudade, há apenas a
perspectiva sobrevivente do dia anterior, perspectiva que passou a ser
constante, diária, rotineira. Passou a ser uma forma de viver, onde a diferença
está apenas nela, na perspectiva diferente de olhar cada dia, olhar cada amor.
segunda-feira, 18 de março de 2013
Ilusório e Real
Hoje fui em busca de você, em busca de reencontrar a nós, em
busca de reviver o que ainda não foi vivido, querendo responder as questões que
não perguntamos, esclarecer dúvidas não levantadas, sentir aquilo que deixamos
inacabado, com aquela pausa momentânea que nunca retomamos.
Fui em busca daquele seu olhar que me fazia abrir mão de
tudo e todos, em busca daquele cheiro que fazia meu corpo vibrar
incessantemente, de sentir seu toque que me levava desse mundo para um
completamente fora desse plano. Corri pra ter aquele beijo que parava o mundo e
nada ao redor fazia mais sentido, tudo não era nada, completamente irrelevante.
Corri, corri mais que minhas pernas pudessem suportar, além
do meu folego, mas não te encontrei. Busquei em todos os locais conhecidos e
desconhecidos, tentei e morreria tentando... E quando não mais sabia onde
procurar, onde enfim te reencontrar, nesse instante eu descobri. Descobri que
ainda não te achei, que você é apenas fruto da minha imaginação e criação
solitária da minha mente perdida e cheia de devaneios, é a personificação de
sonhos. Descobri que você até existe, mas não para mim, ainda.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Vivendo
Observe bem ao seu redor, tente sentir o que se passa, tente
entrar e se encaixar na vibração do concreto armado, na constância inconstante
do espaço/tempo, se encha com todo o odor que rodeia. Observe as cores na falta
de cor presente nas misturas fixas e impalpáveis.
Não ver o mundo, não sentir o mundo, não viver o mundo, é
esse o preço por viver nesse mundo, é esse o preço pago pela consciência
inconsciente diária, é esse o sentido completamente sem sentido de todos os
momentos decorridos e percorridos, e é esse o objetivo traçado sem traços ou
definido, completamente abstrato e irreal.
Quais são os sentidos que estão a prova? Quais os
sentimentos que estão ameaçados? Quais os valores apontados? Não há questões ou
questionamentos, há eternas reticencias, eternas vírgulas.
Tudo se perdeu nas infinitas definições, nas edificações
pessoais, nos muros interpessoais, no asfalto sentimental e nas belezas fixas e
deformadas. Não há fogo porque não há ardor, não há gelo porque não há tremor,
tudo se resume às inabaláveis e pequenas fortalezas de areia.
Assim o mundo se recria e se define, através das apercepções
externas e dos abandonos internos, das depredações generalizadas e repulsas de
si. Assim o mundo tem cada vez menos cores, menos textura, menos perfume e menos
música, assim o mundo se faz tenro e sólido , vividamente pálido e insipido.
quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
Respondendo
O que você poderia ser? O que gostaria de ser? O que te
faria ser esse tal ser? E o que não faria? Desde quando você busca isso? Até
quando essa busca existirá?
Muitos vivem nesse ritmo de perguntas próprias e
inapropriadamente impróprias que aparentemente são findadas com as respectivas
respostas, com as tais resoluções individuais e totalitárias. Focalizam num tal
objetivo único plurificado onde a insolução se torna fracasso, incompetência,
em que a transformação, a mutação seja contínua e drasticamente repentina,
provocando o reestabelecimento de todo o âmago no variar dos segundos. A busca
se torna cada dia mais insensível, friamente calculada, à beira da frigidez
completa, em que o alcançar é o ponto final de cada interrogação. A pontuação
se torna mais importante que o próprio teor, a busca pelo pontuar é mais
agradável que o que antecede, que o transitório.
Descobrir aquilo que se é, o que se pode ser, é o que move e
provoca um novo mundo. E o que difere cada ser é exatamente a peculiaridade de
cada perspectiva, onde ritmar a busca e a definição da meta entre teor e
simplesmente pontuar é o que faz o entendimento ou não de que se é aquilo que
se é, ou aquilo que se quis tornar. Aceitar não é conformidade, é entender que
a personificação de um ser próprio é completamente diferente da compreensão, é
perceber a linha tênue que separa a transformação da mutação.
Aquele que não entende ou não visualiza as sutilezas
intrínsecas de si, jamais perceberá ou será capaz de conviver com as de outrem.
quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Futuro sem Presente
Dizer que te quero e te olhar nos olhos sem enxergar aquele
brilho que só neles existiam, sentir sua mão gélida ao tocar a minha, ver que
as despedias têm sensação de cotidiano, de rotineiras e não mais corroem. Não
tenho mais ouvido sua voz, nem observado seu sorriso, nem ao menos secado suas
lágrimas. Não sei sua nova rotina, seu gosto novo, seu gosto antigo que
despertou com força após um contentamento ou melancolia súbita.
Hoje acordei querendo você como te quis naqueles primeiros
dias em que nos conhecemos, hoje disquei seu número pra te pedir de volta, pra
dizer que há uma saudade incessante, mas titubeei, travei e desisti. Acordei
pensando se te ver era o remédio tarja preta pra minha abstinência de você ou
se isso seria uma overdose.
Você se foi e não encostou a porta, saiu e trancou, deixou
tudo como estava, seu canto impecavelmente desorganizado, suas tralhas
amontoadas, seus desejos grudados nas paredes, seus sonhos suspensos por toda
parte e todos inacabados, rascunhos dos nossos projetos, apenas tracejados do
nosso futuro. Fiquei com tudo isso e sem nada disso, cheio de esperanças que
você carregou na mala, certo da dúvida que você não deixou ao me beijar na testa
e dizer adeus.
Difícil assimilar, complicado entender, mas irrevogável e
irremediável, você se foi e não olhou pra trás, apenas ergueu-se e seguiu. Agora
sei que não voltará, sei que o futuro não nos foi reservado, hoje sei que o
futuro será apenas uma estampa do passado.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Alegria de Carnaval
Olha só você, pouco conheço, aos poucos vou conhecendo e já
te amo inacreditavelmente, amo desde àquele primeiro momento, naquele instante, amo mesmo sem nunca ter conhecido esse amor.
Você que veio de presente entre aniversário e Natal, mas que provocará sempre alegrias de um grande carnaval. Você, que sorrindo ou chorando será sempre a alegria de cada momento, porque deste amor sempre chamarei você.
Há quem diga que esse amor é torto, que é demasiadamente intrínseco e até inapropriadamente vívido. Há quem não diga, há quem diz se abster e não querer dizer, há quem até queira dizer sem ao menos realmente saber.
Um amor assim não precisa de vozes, de formatos, de receitas, não tem dividendos, apenas proventos, não tem escalas, não necessita de proximidades, não depende de afinidades. Esse amor não é compartilhável, é indivisível, aceita apenas as somas e multiplicações, quem conhece não conhece, porque é único e mutável.
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