segunda-feira, 18 de junho de 2012

Meu Eu Todo Seu

Por que tudo o que eu faço faz tanta diferença se o que eu digo não faz a menor diferença? O que há por trás dessa sua intenção que não tem nenhuma pretensão? O que te provoca esse medo explícito e dissimulado que te joga pra longe e te faz cair sempre junto a mim? Qual é o seu problema comigo que te revoga e te acende, que te subtrai e me multiplica? Qual o porquê dessa teimosia em duvidar daquilo que se tem tanta certeza? E quem te disse que a procura por uma melhor saída está na melhor saída?
Pode ir parando, garanto que você não sabe responder nenhuma dessas questões. E como eu sei? A sua hesitação em cada uma delas é que me diz, a sua busca constante em se esquivar de todas elas é que me deixa claro, a sua falta de resposta é que traz todas as respostas.

Você procura por uma objetividade que não é existente, que nunca se fará presente. Você busca um desengano que na essência é frívolo, um sentido pra te saciar, quando na verdade tudo o que você quer é ser manter insaciável.
Essa busca por um caminho certo não te levará a nada enquanto você não perceber que só existe um caminho, que a sua trajetória está na contramão a todo instante em que você decide vir de encontro a mim, quando você deveria vir ao meu encontro.

A felicidade que você tanto procura está dentro de você, junto desse meu eu que você camuflou, porque você sabe o que quer, mas foge do que precisa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Você


Quem é você? De onde você veio? Como e por que você faz isso? Perguntas que talvez nunca se respondam por completo ou com a essência devida. Pra mim também não importa, de certa forma eu nem quero mesmo que sejam respondidas, acho que assim é até melhor, pensando bem eu não preciso de forma alguma responder isso. Porque o mais importante eu já sei, aquilo que é realmente significante, que é realmente vívido eu já sei, eu já presencio. E é a única coisa que preciso ter, o resto se perde através de um sentido qualquer.


Eu sei quem eu quero, sei o que eu quero, sei o que me traz a alegria, o que me permite ver as coisas de outra forma e sentir melhor, sei que eu quero você. Porque só você tem esse coração que não te cabe e sempre briga comigo quando tenho meus momentos de frieza, porque você é capaz de ser doce até quando não está nos seus melhores dias, porque só você tem aquele olhar mais hipnotizante que o gatinho do Shrek quando quer algo. Sei o que eu quero ser pra você, sei os sentimentos que quero ser pra você, sei que quero poder te observar dormir e esperar que você tenha os melhores sonhos, sei que quero poder te abraçar e fazer com que você se sinta dentro do local mais seguro, sei que quero poder te fazer sorrir a todo instante e saber que sou feliz por amar você. É tudo o que preciso saber, é o que me basta.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Juntando Cacos


Chega um determinado momento em que se observa que tudo e nada faz o mesmo sentido, tem a mesma essência, o mesmo significado. É quando se olha pro passado e só há cortes não remendados, pausas esquecidas, prazos não cumpridos, estilhaços varridos, pinturas inacabadas, frases não ditas, trancas enferrujadas. Cada esquecimento, cada caco não vivido é uma história completa perdida, um desandar contínuo num espaço sem passo. É quando a perspectiva do horizonte é reversa, a esperança de cada manhã termina após o almoço e a força se esvai. Agora o nada é tudo e tudo é nada, com um arco-íris incolor numa visão clara e óbvia de que nenhuma cor tem mais a mesma cor, no de-sabor de um paladar ácido, de uma vida inerte.


É nesse instante em que te avisto, pequena e cheia de grandeza, definida em traços únicos e singelos, de sutileza insípida e doçura tenra, onde incide um ardor vívido e em plenitude, onde faz-se enxergar que um amor é mais explicativo do que as letras, que um amar reconstrói cada caco e se une a novos, que traz tinta nova àquele quadro, que refaz pausas e cria recomeços, que abandona trancas e abre novos espaços.

Assim é te amar, oriundo de um moribundo, que de valor só o próprio amor, e que talvez ainda não saiba o que é amar, mas que assume tal ignorancia se tu lhe puder ensinar.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Calma Aí Coração

Calma Aí Coração
Zeca Baleiro

Eu já falei tantas vezes
E você nada de me ouvir
Vão-se os dias, anos e meses
E tudo que você sabe fazer é sentir
Quantas canções falam de você
Tantas paixões sem você não são
Não pare nunca pra eu não morrer
Nem voe tão mais além do chão
Deixa, me deixa em paz, ó meu coração
Chega, o que liberta é também prisão
Deixa, deixa assim, só e salvo e são
Quem tanto bate um dia apanha
Chega de manha, não me assanha
Doido, louco, maluco coração
Coração surdo não tem juízo
Não ouve nunca a voz da razão
E razão você sabe, é preciso
Pra curar a sua loucura, coração
Bandido cansado de enganos
Heróis de capa e espada na mão
Esquece metas, retas e planos
Veleja no mar escuro da ilusão 
http://www.youtube.com/watch?v=XaqaqRuU9Hw

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Poeira de Vida


Tem horas que a gente acha que o mundo enlouqueceu, que as pessoas piraram de vez, que nada mais faz sentido, que nada é mais como antes, que tudo está tão diferente e mudado, quando na verdade tudo é igual desde sempre e nunca mudou, cada acontecimento, cada atitude pessoal é a mesma, não há reviravolta, não há nada tão novo assim. Na verdade tudo se repete do início ao fim, são poeiras que não se apagam, os retratos são os mesmos, com cores acrescidas, agora os sorrisos amarelos são realmente amarelos e não em preto e branco, os beijos insossos agora tem apenas batons  de marcas diferentes, mais ou menos caros, as frases mórbidas continuam mórbidas, sejam no ativo ou no passivo, no pretérito perfeito ou imperfeito, amigos continuam, nem sempre, amigos, mas colegas sempre serão colegas, até os olhares falsos por trás de um Ray Ban continuam por trás deles, talvez os falsos óculos também estejam mais escrachados.


Mas sabe quando tudo isso realmente faz sentido? Quando você começa a se importar. E sabe qual a importância disso tudo na nossa vida? No fundo nenhuma, nada disso afeta a sua vida ou o seu caminho, pelo menos não deveria, já que a relevância disso tudo é proporcional a qualquer coisa de extrema insignificância. Viver ligado nesses fatos, nesses atos é cegar-se para o que realmente importa e se ligar em algo improdutivo e desnecessário, é alocar forças para algo nulo e sem valor, desonerando àquilo que realmente precisa de toda a força e empenho. Manter o foco apenas na sua própria construção sem permitir a interferência da poeira do passado presente no futuro.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Último Trago


Ela, ela que chegou sem avisar, sutil e de mansinho entrou primeiro pelos meus olhos, com aquele sorriso indescritível, diferente de tudo já visto, depois pelos ouvidos, com uma voz tão suave e ao mesmo tempo tão presente que me arrepiou da cabeça aos pés e me trouxe uma sensação absurda, sensação fora de controle.
Ela se aproximava, aliás, comecei a perceber que ela não se movia nem um milímetro, eu é que era puxado pra ela, não adiantaria eu me recusar, era mais forte, mais intenso que qualquer outra coisa, nada faria aquilo parar. Não entendia mais nada, como perdi todo o controle sobre mim, sobre meus desejos e ações, meu corpo não me obedecera mais. Mesmo assim a sensação era boa, ela sabia me conduzir de forma única, eu permitia então me dominar, estar presente do jeito dela. Não desejei mais o fim de nada, tudo poderia ser contínuo e pleno.
Ah ela... Me drogou, me viciou, não havia condição nenhuma de não estar com ela, de não sentir o êxtase daqueles momentos. Mas ela realmente me drogou, porque agora sinto o efeito da abstinência, o efeito contrário àqueles instantes, o devaneio que consome, a consciência inconsciente que turva toda a visão que antes era límpida, o furor levado ao avesso. Ela meu deu uma dose dela, me ensinou a consumi-la, agora esfumaça como o último trago...me deixando a mercê da memória, da lembrança que não se alimenta por si, se alimenta de mim, do meu eu viciado e consumista. Não há remédio, vacina, antidoto ou tratamento, mas disso você já sabia, como sabia que eu precisava apenas de um mínimo de você para viciar, pra me perder. E agora, mesmo insano, não procuro mais a droga que é você, agridoce, instigante, voraz e fugaz. Me deleito em saber que você não sabe, mas a droga que sou eu também te viciou e que breve moverá você a mim sem eu sair daqui nem mesmo um milímetro.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Indiscutivelmente Única

Sexo frágil. Quem ou o que é esse tal de sexo frágil? Desconhecido é de fato forma ou ser, incompreendido não só 'talvez', é incompreendido 'com certeza', incompreendida por natureza, até pela única beleza.


A mulher recebeu esse "status" não de forma receptiva, mas de maneira imposta e sem merecimento. A mulher é própria e única dentro de uma mescla infinita de exposição interna, singela e expressiva, com toda a força insuficiente de mal fazer sem a devida proporcionalidade desproporcionalmente aos momentos em fúria, seguidos de delicadeza descomunal em comum à todas elas, com a firmeza e a dureza de um ser que suporta todos os percalços com a emotividade ao fim de uma novela, com um carinho de quem firma a opinião e não volta atrás. Essa, talvez, seja a mulher, um ser único e múltiplo, definitivamente indefínivel e bela, capaz de ser ela mesma e várias ao mesmo tempo, sem perder uma essência, indiscutível, de vida.