terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um Óscar Só Seu


Sabe quando a sua vida para de caminhar de repente, as coisas não caminham mais como antes a passos largos, como se você estivesse estagnado, com metade do corpo preso num pântano?! Dá a impressão que tudo vai ficar pelo caminho, que tudo deixou de dar certo, que nada mais funciona, nenhuma tentativa resulta em sucesso e o mundo virou as costas pra você.
Quando esses momentos chegam é como andar numa esteira ergométrica, o esforço existe, mas não se chega a lugar nenhum. E por mais que se aumente o esforço, a corrida, nada muda, o tempo passa e ainda se está no mesmo lugar.

É esse o pensamento que se tem,  a sensação que se tem, mas e o outro lado?! Ué, tudo tem dois lados, duas maneiras diferentes de enxergar, dois significados. Ou você acha que tudo é sempre a risca, que quando uma mulher manda o cara ir embora, em todas às vezes ela está realmente sentindo ou querendo dizer aquilo? Levar as coisas ao pé da letra, a risca é como dormir num caixão esperando a morte diariamente, porque ouviu que nunca se sabe o dia de amanhã. Vamos tratar esses momentos como férias, férias mentais, instantes de reflexão interna, de desembaçar as vistas e conseguir um ângulo diferente, uma lente de aumento para certas situações e de fechar os olhos para outras. Dá pra aproveitar esses momentos, pra buscar outros hobbies, outras diversões, coisas ainda não exploradas. Às vezes esses momentos até podem, por si só, te proporcionar coisas novas, pessoas novas, sorrisos e gargalhadas de coisas ainda não sentidas, basta estar aberto, estar disposto a reviver ou viver mais. Nada é tão ruim quanto parece. Veja só, encontrei você, e mesmo que tenha sido repentino a chegada e a sua despedida, foi indescritível, e quem sabe você ainda volte, de alguma forma.

Não é porque as coisas saíram do ritmo que chegaram ao fim e que tudo se perdeu, tudo depende de como você receberá e de como ditará os próximos capítulos, a vida é sua, escreva-a da melhor maneira possível, atue no seu melhor papel, seja o grande protagonista e ganhe seu Óscar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Reluzente e Sem Brilho


O tempo insiste em ser veloz e implacável e traz consigo pesares e saberes que te constrói pilar por pilar, bloco a bloco, onde você apenas molda cada um com pequenos detalhes desenhados ao modo decorrido e primitivo. Detalhes que desvalorizam um valor inapropriado, valor leviano, que te inspira mas não te transpira, valor vívido sem vivência, sem a poeira entranhada e que disfarça e até maquia o rugo definido internamente explícito em cada marca transparente de um ser incompleto por natureza.  A complexidade que você demonstra está completamente fora do seu eu, a complexidade que você quer ser não corresponde ao ser simplório e insípido que te faz.

Acreditar que transparecer te faz parecer, é sucumbir na própria eloquência retratada, é esvair em um ponto final exclamativo de uma interrogação proveniente do sujeito sem predicados. O que te reluz não tem luz. A essência não se altera conforme intencionalidades, é apenas da forma que é, a beleza de um quadro não transluz seu significado essencial.

A valorização do seu eu/ser não compete a tal. Despreocupe-se, baste-se, transpire-se, seja apenas aquilo que te cabe ou compete, desprenda do valor belo ao modo comum, adentre à singularidade e viva-a. O insípido tem seu sabor e seu valor, depende apenas do valor propriamente dado. O tempo no seu momento irrevogável trará as demarcações que se enquadrarem no predicativo do seu sujeito.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Desapropriadamente


Parafraseando, representando, pensando e quem sabe transcedentando. Essa é você se utilizando de uma forma de se representar sem perceber que a sua representação é completamente imprópria, está muito além daquilo que você pode ou talvez consiga atingir, não é premissa de nada que te corresponda. A beleza transpassada, o intelecto de maturação exacerbado não condiz no real anterointerior.

Te observo e percebo que não é preciso me atentar a você pra notar o quão insípidas e vazias se tornam as suas belas palavras reutilizadas  de forma eloquente, já que na essência você é frívola e ausente. A sua incansável crença de que este tipo de demonstração diz algo realmente convincente, é indescritivelmente desavergonhado no momento em que atinge àqueles que unicamente se utilizaram de segundos para enxergar em você aquilo que verdadeiramente há no seu âmago.

Transpareça, se exponha, se disponha, mas se utilize de métodos e maneiras que te correspondam e te respondam, não se permita ao dissabor aplaudível, é infinitamente impróprio do começo ao fim.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Das Cinzas a Você


Depois de tanto tempo nos falamos hoje, foi engraçado, sempre nos divertimos muito nessas conversas rotineiras. E senti uma saudade que ainda não tinha sentido.


Ah a saudade... A saudade é melancólica, sempre causa nostalgia, é capaz de enlouquecer mente sã. A saudade e a morte, pra mim, são parceiros inseparáveis, maltratam, machucam. A morte traz saudade, saudade de quem se foi, de quem não se poderá mais sentir o toque, ver o sorriso iluminar aqueles momentos em que nada poderia dar jeito.


O que me contraria é que só há saudade daquilo que se ama, daquilo em que será realmente difícil viver sem. E não sei se sinto saudade de você, não que eu não sinta nada disso por você, a distância é só um obstáculo que se fez presente,  até porque eu ainda te amo e apesar de você ter ido, você não morreu – tudo bem, posso até ter morrido pra você de alguma forma – mas o sentimento não respeita regras, não usa relógio e nem tem calendário, ele tem vida própria e não permite questionamentos, ele navega como bem quer. Seguimos outras estradas, mas ele segue a dele e entender isso foi o primeiro passo para continuar sem você e espero poder renascer dessas cinzas e um dia ter você novamente.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Meu Eu Todo Seu

Por que tudo o que eu faço faz tanta diferença se o que eu digo não faz a menor diferença? O que há por trás dessa sua intenção que não tem nenhuma pretensão? O que te provoca esse medo explícito e dissimulado que te joga pra longe e te faz cair sempre junto a mim? Qual é o seu problema comigo que te revoga e te acende, que te subtrai e me multiplica? Qual o porquê dessa teimosia em duvidar daquilo que se tem tanta certeza? E quem te disse que a procura por uma melhor saída está na melhor saída?
Pode ir parando, garanto que você não sabe responder nenhuma dessas questões. E como eu sei? A sua hesitação em cada uma delas é que me diz, a sua busca constante em se esquivar de todas elas é que me deixa claro, a sua falta de resposta é que traz todas as respostas.

Você procura por uma objetividade que não é existente, que nunca se fará presente. Você busca um desengano que na essência é frívolo, um sentido pra te saciar, quando na verdade tudo o que você quer é ser manter insaciável.
Essa busca por um caminho certo não te levará a nada enquanto você não perceber que só existe um caminho, que a sua trajetória está na contramão a todo instante em que você decide vir de encontro a mim, quando você deveria vir ao meu encontro.

A felicidade que você tanto procura está dentro de você, junto desse meu eu que você camuflou, porque você sabe o que quer, mas foge do que precisa.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Você


Quem é você? De onde você veio? Como e por que você faz isso? Perguntas que talvez nunca se respondam por completo ou com a essência devida. Pra mim também não importa, de certa forma eu nem quero mesmo que sejam respondidas, acho que assim é até melhor, pensando bem eu não preciso de forma alguma responder isso. Porque o mais importante eu já sei, aquilo que é realmente significante, que é realmente vívido eu já sei, eu já presencio. E é a única coisa que preciso ter, o resto se perde através de um sentido qualquer.


Eu sei quem eu quero, sei o que eu quero, sei o que me traz a alegria, o que me permite ver as coisas de outra forma e sentir melhor, sei que eu quero você. Porque só você tem esse coração que não te cabe e sempre briga comigo quando tenho meus momentos de frieza, porque você é capaz de ser doce até quando não está nos seus melhores dias, porque só você tem aquele olhar mais hipnotizante que o gatinho do Shrek quando quer algo. Sei o que eu quero ser pra você, sei os sentimentos que quero ser pra você, sei que quero poder te observar dormir e esperar que você tenha os melhores sonhos, sei que quero poder te abraçar e fazer com que você se sinta dentro do local mais seguro, sei que quero poder te fazer sorrir a todo instante e saber que sou feliz por amar você. É tudo o que preciso saber, é o que me basta.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Juntando Cacos


Chega um determinado momento em que se observa que tudo e nada faz o mesmo sentido, tem a mesma essência, o mesmo significado. É quando se olha pro passado e só há cortes não remendados, pausas esquecidas, prazos não cumpridos, estilhaços varridos, pinturas inacabadas, frases não ditas, trancas enferrujadas. Cada esquecimento, cada caco não vivido é uma história completa perdida, um desandar contínuo num espaço sem passo. É quando a perspectiva do horizonte é reversa, a esperança de cada manhã termina após o almoço e a força se esvai. Agora o nada é tudo e tudo é nada, com um arco-íris incolor numa visão clara e óbvia de que nenhuma cor tem mais a mesma cor, no de-sabor de um paladar ácido, de uma vida inerte.


É nesse instante em que te avisto, pequena e cheia de grandeza, definida em traços únicos e singelos, de sutileza insípida e doçura tenra, onde incide um ardor vívido e em plenitude, onde faz-se enxergar que um amor é mais explicativo do que as letras, que um amar reconstrói cada caco e se une a novos, que traz tinta nova àquele quadro, que refaz pausas e cria recomeços, que abandona trancas e abre novos espaços.

Assim é te amar, oriundo de um moribundo, que de valor só o próprio amor, e que talvez ainda não saiba o que é amar, mas que assume tal ignorancia se tu lhe puder ensinar.