quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Respondendo


O que você poderia ser? O que gostaria de ser? O que te faria ser esse tal ser? E o que não faria? Desde quando você busca isso? Até quando essa busca existirá?

Muitos vivem nesse ritmo de perguntas próprias e inapropriadamente impróprias que aparentemente são findadas com as respectivas respostas, com as tais resoluções individuais e totalitárias. Focalizam num tal objetivo único plurificado onde a insolução se torna fracasso, incompetência, em que a transformação, a mutação seja contínua e drasticamente repentina, provocando o reestabelecimento de todo o âmago no variar dos segundos. A busca se torna cada dia mais insensível, friamente calculada, à beira da frigidez completa, em que o alcançar é o ponto final de cada interrogação. A pontuação se torna mais importante que o próprio teor, a busca pelo pontuar é mais agradável que o que antecede, que o transitório.

Descobrir aquilo que se é, o que se pode ser, é o que move e provoca um novo mundo. E o que difere cada ser é exatamente a peculiaridade de cada perspectiva, onde ritmar a busca e a definição da meta entre teor e simplesmente pontuar é o que faz o entendimento ou não de que se é aquilo que se é, ou aquilo que se quis tornar. Aceitar não é conformidade, é entender que a personificação de um ser próprio é completamente diferente da compreensão, é perceber a linha tênue que separa a transformação da mutação.

Aquele que não entende ou não visualiza as sutilezas intrínsecas de si, jamais perceberá ou será capaz de conviver com as de outrem.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Futuro sem Presente


Dizer que te quero e te olhar nos olhos sem enxergar aquele brilho que só neles existiam, sentir sua mão gélida ao tocar a minha, ver que as despedias têm sensação de cotidiano, de rotineiras e não mais corroem. Não tenho mais ouvido sua voz, nem observado seu sorriso, nem ao menos secado suas lágrimas. Não sei sua nova rotina, seu gosto novo, seu gosto antigo que despertou com força após um contentamento ou melancolia súbita.
Hoje acordei querendo você como te quis naqueles primeiros dias em que nos conhecemos, hoje disquei seu número pra te pedir de volta, pra dizer que há uma saudade incessante, mas titubeei, travei e desisti. Acordei pensando se te ver era o remédio tarja preta pra minha abstinência de você ou se isso seria uma overdose.
Você se foi e não encostou a porta, saiu e trancou, deixou tudo como estava, seu canto impecavelmente desorganizado, suas tralhas amontoadas, seus desejos grudados nas paredes, seus sonhos suspensos por toda parte e todos inacabados, rascunhos dos nossos projetos, apenas tracejados do nosso futuro. Fiquei com tudo isso e sem nada disso, cheio de esperanças que você carregou na mala, certo da dúvida que você não deixou ao me beijar na testa e dizer adeus.
Difícil assimilar, complicado entender, mas irrevogável e irremediável, você se foi e não olhou pra trás, apenas ergueu-se e seguiu. Agora sei que não voltará, sei que o futuro não nos foi reservado, hoje sei que o futuro será apenas uma estampa do passado.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Alegria de Carnaval


Olha só você, pouco conheço, aos poucos vou conhecendo e já te amo inacreditavelmente, amo desde àquele primeiro momento, naquele instante, amo mesmo sem nunca ter conhecido esse amor.
Há quem diga que esse amor é torto, que é demasiadamente intrínseco e até inapropriadamente vívido. Há quem não diga, há quem diz se abster e não querer dizer, há quem até queira dizer sem ao menos realmente saber.

Um amor assim não precisa de vozes, de formatos, de receitas, não tem dividendos, apenas proventos, não tem escalas, não necessita de proximidades, não depende de afinidades. Esse amor não é compartilhável, é indivisível, aceita apenas as somas e multiplicações, quem conhece não conhece, porque é único e mutável.

Você que veio de presente entre aniversário e Natal, mas que provocará sempre alegrias de um grande carnaval. Você, que sorrindo ou chorando será sempre a alegria de cada momento, porque deste amor sempre chamarei você.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um Óscar Só Seu


Sabe quando a sua vida para de caminhar de repente, as coisas não caminham mais como antes a passos largos, como se você estivesse estagnado, com metade do corpo preso num pântano?! Dá a impressão que tudo vai ficar pelo caminho, que tudo deixou de dar certo, que nada mais funciona, nenhuma tentativa resulta em sucesso e o mundo virou as costas pra você.
Quando esses momentos chegam é como andar numa esteira ergométrica, o esforço existe, mas não se chega a lugar nenhum. E por mais que se aumente o esforço, a corrida, nada muda, o tempo passa e ainda se está no mesmo lugar.

É esse o pensamento que se tem,  a sensação que se tem, mas e o outro lado?! Ué, tudo tem dois lados, duas maneiras diferentes de enxergar, dois significados. Ou você acha que tudo é sempre a risca, que quando uma mulher manda o cara ir embora, em todas às vezes ela está realmente sentindo ou querendo dizer aquilo? Levar as coisas ao pé da letra, a risca é como dormir num caixão esperando a morte diariamente, porque ouviu que nunca se sabe o dia de amanhã. Vamos tratar esses momentos como férias, férias mentais, instantes de reflexão interna, de desembaçar as vistas e conseguir um ângulo diferente, uma lente de aumento para certas situações e de fechar os olhos para outras. Dá pra aproveitar esses momentos, pra buscar outros hobbies, outras diversões, coisas ainda não exploradas. Às vezes esses momentos até podem, por si só, te proporcionar coisas novas, pessoas novas, sorrisos e gargalhadas de coisas ainda não sentidas, basta estar aberto, estar disposto a reviver ou viver mais. Nada é tão ruim quanto parece. Veja só, encontrei você, e mesmo que tenha sido repentino a chegada e a sua despedida, foi indescritível, e quem sabe você ainda volte, de alguma forma.

Não é porque as coisas saíram do ritmo que chegaram ao fim e que tudo se perdeu, tudo depende de como você receberá e de como ditará os próximos capítulos, a vida é sua, escreva-a da melhor maneira possível, atue no seu melhor papel, seja o grande protagonista e ganhe seu Óscar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Reluzente e Sem Brilho


O tempo insiste em ser veloz e implacável e traz consigo pesares e saberes que te constrói pilar por pilar, bloco a bloco, onde você apenas molda cada um com pequenos detalhes desenhados ao modo decorrido e primitivo. Detalhes que desvalorizam um valor inapropriado, valor leviano, que te inspira mas não te transpira, valor vívido sem vivência, sem a poeira entranhada e que disfarça e até maquia o rugo definido internamente explícito em cada marca transparente de um ser incompleto por natureza.  A complexidade que você demonstra está completamente fora do seu eu, a complexidade que você quer ser não corresponde ao ser simplório e insípido que te faz.

Acreditar que transparecer te faz parecer, é sucumbir na própria eloquência retratada, é esvair em um ponto final exclamativo de uma interrogação proveniente do sujeito sem predicados. O que te reluz não tem luz. A essência não se altera conforme intencionalidades, é apenas da forma que é, a beleza de um quadro não transluz seu significado essencial.

A valorização do seu eu/ser não compete a tal. Despreocupe-se, baste-se, transpire-se, seja apenas aquilo que te cabe ou compete, desprenda do valor belo ao modo comum, adentre à singularidade e viva-a. O insípido tem seu sabor e seu valor, depende apenas do valor propriamente dado. O tempo no seu momento irrevogável trará as demarcações que se enquadrarem no predicativo do seu sujeito.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Desapropriadamente


Parafraseando, representando, pensando e quem sabe transcedentando. Essa é você se utilizando de uma forma de se representar sem perceber que a sua representação é completamente imprópria, está muito além daquilo que você pode ou talvez consiga atingir, não é premissa de nada que te corresponda. A beleza transpassada, o intelecto de maturação exacerbado não condiz no real anterointerior.

Te observo e percebo que não é preciso me atentar a você pra notar o quão insípidas e vazias se tornam as suas belas palavras reutilizadas  de forma eloquente, já que na essência você é frívola e ausente. A sua incansável crença de que este tipo de demonstração diz algo realmente convincente, é indescritivelmente desavergonhado no momento em que atinge àqueles que unicamente se utilizaram de segundos para enxergar em você aquilo que verdadeiramente há no seu âmago.

Transpareça, se exponha, se disponha, mas se utilize de métodos e maneiras que te correspondam e te respondam, não se permita ao dissabor aplaudível, é infinitamente impróprio do começo ao fim.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Das Cinzas a Você


Depois de tanto tempo nos falamos hoje, foi engraçado, sempre nos divertimos muito nessas conversas rotineiras. E senti uma saudade que ainda não tinha sentido.


Ah a saudade... A saudade é melancólica, sempre causa nostalgia, é capaz de enlouquecer mente sã. A saudade e a morte, pra mim, são parceiros inseparáveis, maltratam, machucam. A morte traz saudade, saudade de quem se foi, de quem não se poderá mais sentir o toque, ver o sorriso iluminar aqueles momentos em que nada poderia dar jeito.


O que me contraria é que só há saudade daquilo que se ama, daquilo em que será realmente difícil viver sem. E não sei se sinto saudade de você, não que eu não sinta nada disso por você, a distância é só um obstáculo que se fez presente,  até porque eu ainda te amo e apesar de você ter ido, você não morreu – tudo bem, posso até ter morrido pra você de alguma forma – mas o sentimento não respeita regras, não usa relógio e nem tem calendário, ele tem vida própria e não permite questionamentos, ele navega como bem quer. Seguimos outras estradas, mas ele segue a dele e entender isso foi o primeiro passo para continuar sem você e espero poder renascer dessas cinzas e um dia ter você novamente.