segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Desconhecida
Depois de tanto tempo descobri que não sei quem você é, descobri que não descobri nada em você, nada de você, nada em que pudesse ter me apaixonado, descobri que nunca vi você antes, que talvez fosse um prazer te conhecer agora, já que até então só tinham me sobrado dúvidas. Será que estive cego durante esse tempo ou você realmente acabou de aparecer, de surgir?! Se eu ligar essa luz eu te verei de novo, se sairmos ao sol eu te reencontrarei?
Você não se tornou alguém pior, pode ser até que tenha se tornado alguém melhor, mas talvez melhor pra você mesma, para aquilo que você deseja ser e não naquilo que quisemos pra nós dois.
Você perdeu a essência de ser você, deixou migalhas suas pelo caminho como se esperasse poder reviver aquele caminho de novo, mas essas migalhas se desfizeram, assim como você. Assim como ficaram pelo caminho, você também ficou por ele ou ao menos quem você realmente era e se tornou parte de uma lembrança. Lembrança que levarei comigo, de alguém que foi alguém, que fez parte, mesmo que agora seja apenas uma bela desconhecida. E quem sabe depois de um até breve a gente se reencontre e sejamos apenas dois desconhecidos que passarão a se conhecer melhor e ter uma vida desconhecida juntos, mesmo com lembranças esquecidas de uma outra vida...!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Viver pra Ver
A vida passa, acontece e fica claro o quanto cada momento pode ser definidor, aprendizado, descoberto, mas que isso só é visível a quem busca ver ou está sempre pronto a perceber quando acontece, caso contrário tudo passa e você foi apenas parte de um plano de fundo qualquer, mero coadjuvante de sua própria vida. E não há de vir reclamar depois de que as oportunidades não apareceram, de que a vida não lhe presenteou, porque não há de se julgar aquilo que não se viu, não é capaz de reconhecer uma oportunidade aquele que não reconhece nem a si. Só hoje, por exemplo, depois de tanto tempo, é que percebi que eu poderia ter dito mais coisas pra te convencer, que ao invés do silêncio, haviam sim palavras que talvez fossem suficientes pra que você ficasse. Mas hoje não penso que seja tarde, que gostaria de voltar tudo e refazer meus passos, porque eles caminharam de acordo como deveriam ser. Hoje não acho que deveríamos ter ficados juntos, percebi que não era pra ser, que foi uma etapa, um momento único, mas para ser apenas lembrado, como um momento bom e de aprendizado. Hoje percebo que a vida tinha mais reservado pra mim, e até pra você, agora sei que aquilo que perdi não foi perda, era apenas passagem, passagem pra uma, e por uma transformação, para que assim eu me encontrasse e aí estivesse pronto pra receber aquilo que me era reservado. Assim é cada dia, um instante único, visto por poucos.
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
A Criança de nós
Às vezes parece que é melhor ser criança pra sempre, toda
aquela bajulação, disputa de quem ela vai gostar mais ou chorar menos, aquelas
caras de bobos ou as tentativas de falar igual... parece até que vão conseguir
alguma comunicação verdadeira assim. A criança nunca é feia, e não digo pela
opinião dos pais não, porque esses ai nunca na vida vão achar ou pelo menos
aceitar que digam que seu filho é feio ou mesmo um ‘bonitinho seu filho’ – BONITINHO
é o ca*#$% - mas digo por todos mesmo, ninguém acha um bebê feio ou mesmo que
ache, a maioria ou praticamente todos, guardam e dão aquele sorriso amarelo
tentando mostrar o contrário, ai quando vão embora comentam ‘nossa, que feinho
ele né?!Tadinho. ’
Ser criança é simples? Talvez. Sem preocupações, sem hora
marcada, a não ser aquelas cruciais da fome, de fazer as necessidades que
enchem uma fralda inteira, é sentir somente aquelas dores de uma cólica que às
vezes um apertinho na barriga pode ser todo o alívio. E mesmo assim queremos
crescer logo, ser adultos, donos do nosso próprio nariz, namorar, noivar,
casar, ter filhos... Eu não sei que necessidade é essa que essas crianças têm,
ou que certos pais demostram pra elas que seria melhor assim. Tudo isso é bom,
é interessante, traz alegrias, mas trazem muito mais percalços, desilusões,
dores, machucam muito mais do que aquela queda no parquinho, já que essa um
Merthiolate e um soprinho curam na hora. Ser adulto é um saco. Toda criança
deve querer ser criança e só, tem que viver esse momento, curtir esse momento.
Tudo passa muito rápido e acabamos sozinhos cuidando de nós mesmos. É verdade
que nascemos sós e morreremos sós, mas já que é irremediável deixa pra ser
quando deve ser, não há porque querer apressar as coisas.
Nenhum adulto é completamente adulto, é utopia querer ou
imaginar isso, todos nós temos aquela criança em nós, alguns mais outros menos,
depende exatamente de como se construiu esse individuo – e não adianta pensar,
‘como assim, construiu?’, é fato que cada individuo é produto do meio em que
vive, com uma pitada de genética apenas – depende de como ele lida com isso.
Viver não é tão fácil quanto se parece às vezes,
então curta cada momento, viva cada um deles e deixe a criança que habita em
você renascer a cada dia, só a mantenha bem educada pra não exagerar na dose.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Sonho Bom
Hoje acordei mais largo, não no sentido físico, até porque
estou bem longe disso, não que eu não faça por onde, mas acho que é a genética
que atrapalha. Mas largo de sentimento, feliz. Num primeiro instante me
indaguei, ‘estou esperando ou recebi alguma notícia boa? Do tipo, aumento de
salário, ganhar um premio... ’ – mas descobri que não era nada disso, comecei a
lembrar de ter sonhado durante a noite e que havia sido um sonho muito bom,
lembrei que sonhei com você, e quando me virei você estava ali ao meu lado.
Então, não foi sonho, é um sonho, é uma realidade.
Essa mistura tem mostrado que cada dia é único, que cada
declaração de amor que se faça é singela demais, que cada momento é rapidamente
finito, principalmente aqueles em que debatemos sobre a pedagogia, da qual você
se fascina e eu só sei o que seu texto acabou de me dizer, mas ainda sim eu me
acho o bacharel no curso, ou quando você cria palavras que matam totalmente o
português, mas faz só pra fazer graça – e ai de mim se recriminar - quando eu
me faço de carente pra ganhar aquele cafuné que você não tem a menor paciência
de fazer, mas que adora receber. Esses momentos são aqueles que permitem
descobrir que não existe uma fina linha entre amor e ódio, e sim uma muralha da
China com sentinelas armados a cada metro e que esse muro não nos afasta de
nenhum dos lados, ele te mantém dentro de um deles, e que temos as opções de arriscar
ou conformar. Ainda bem que eu arrisquei, porque desse lado do muro a visão é espetacular.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Na Mira do Chavão
Certamente todo mundo já ouviu, falou ou foi vítima de um chavão, daqueles mais estranhos ou mais comuns, cômicos ou completamente idiotas (pensei em outra palavra, mas nenhuma abrange tanto como essa). O chavão está presente mesmo no nosso cotidiano, não tem jeito.
Se você já se relacionou, provavelmente já ouviu vários ou até mesmo já foi vítima alguma vez, talvez até tenha vitimado alguém. Acontecem, as pessoas estão tão acostumadas a mentir que a verdade acaba sendo mascarada às vezes pra amenizarmos a consequência que possa se causar.
Ai você vai perguntar: “Isso é um problema então? Mentir, mascarar é ruim? Não é melhor dizer de uma maneira mais amena?”. Um problema talvez não. Um erro? Talvez! Não há um modelo especifico de se agir. É fato que a verdade mesmo que doída é um ótimo caminho, mas lidar com ela nem sempre é tão simples assim, existem diversas circunstâncias que a entravam . Mas acho que mais importante que a verdade é a consciência do que realmente está sendo dito e transmitido.
Quando alguém diz “O problema não é você, sou eu.”, e você se conforma, é aí que as coisas se perdem, porque é claro que o problema é você, se não fosse não estaria havendo um fim, não haveria essa frase, esse momento. É claro que você é ao menos parte do problema, seja por você ser excelente até demais, ou não valer um tostão furado, ou mesmo por ter aparecido num momento que não era o ideal para aquela pessoa e ela queira outra coisa, outro alguém, mas você sempre fará parte do problema. O relacionamento não começa e nem acaba sozinho, as partes se envolvem e são envolvidas. Então não dá pra simplesmente levantar e sair, aceitar isso como se fosse um elogio, que te sirva de aprendizado, que se tenha a consciência do que foi feito e de onde se errou para não cometer os mesmos erros. Encare numa boa, mas encare, siga e faça diferente. Se você se conforma em ouvir isso, talvez não estivesse tão envolvido assim, talvez você seja mesmo o motivo, o problema.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Intrincado Amor
Em meio a multidão a solidão se fez solidez. A cada passo contínuo o pensamento descontínuo, o olhar cego e o entendimento decaído. A palavra não dita exalada no sentimento aflorado, perdido no tempo/espaço ainda não vivido, interrompido na abrupta ignorância da certeza. O querer exaltado completamente desenfreado, multiplicado no desinteresse na ânsia do encontro desencontrado e na espera do surpreendido.
A procura inexplicável, apontada pro horizonte sem chegada, com a mira em parafusos norteada pro sul, através da rota traçada num lápis sem ponta, corrigida sem ser apagada com o prolixo objetivo na aparência de sintético, enganado pela crença do desengano de um passado ainda presente refletido num futuro inexistente recém-chegado com um adeus felicitado no desdém oportuno.
A descoberta aponta, mas só a encontra quando não se dá mais conta, de que essa era a vida, esse era o ser vivido antes de encontrar o seu amor, próprio ou improprio, nos moldes de um padrão já ultrapassado ao seu melhor estilo.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
Interrogações de Um Texto
Demais... Amor demais, tristeza demais, alegria demais, raiva demais, pensamentos demais... O quanto é demais, o que é demais, por que é demais? O que permite tal definição? O que promove e intitula o exagero? Por que é exagerado exagerar? Por que é demais querer demais, se quando pensamos, sonhamos, eles não devem ter limites? Por que restringir o ilimitado onde não se há limites? Como aprisionar numa prisão de ‘infinitude’ máxima? Como definir um destino para o predestinado a ser sem destino? Como fincar um ponto de chegada sem saber onde será o ponto de partida? Como ter certeza quando a dúvida é que promove uma certeza? Por que fechar os olhos se a imagem continua em mente? Como definir a intensidade se não se mede com força? Como definir distancia se ela não é física? Como apagar se não há método eficaz? Como se jogar quando não há chão? Como esperar quando não se sabe o quê? Como crer se não se sabe em quê? Como alcançar o inalcançável? Como viver se não há manual? Como se preparar se não se sabe pra que? Como não chorar se tudo o que se tem são lágrimas? Como não sorrir quando se tem apenas sorrisos? Como não sangrar quando tudo são espinhos? Como amanhecer quando tudo se faz noite? Como manter os pés firmes se tudo o que se tem são abismos? Como ser forte quando não há mais força? Como colocar um ponto final se tudo o que eu tenho são interrogações?
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